Por Dr. Alexandre Lima, médico com Especialização em Dermatologia (CRM-MG 38.981) · Publicado em 15/10/2026

Resposta rápida: Melasma é uma condição crônica que forma manchas escuras e simétricas no rosto e tende a voltar. Ele surge pela soma de predisposição genética, hormônios, radiação ultravioleta e luz visível. Não tem cura, mas tem controle: o cuidado combina proteção solar diária, medicamentos prescritos e, em alguns casos, procedimentos, sempre com manutenção e avaliação médica individual.

O que é melasma?

Melasma é uma alteração comum da cor da pele, que forma manchas acastanhadas e simétricas no rosto. Simétricas quer dizer que as manchas aparecem de forma parecida nos dois lados do rosto. As manchas vêm de um excesso de melanina, o pigmento da pele, e o nome técnico disso é hiperpigmentação.

Ele é crônico e recidivante: dura muito tempo e tende a voltar mesmo depois de melhorar. É por isso que falamos em controle, não em cura.

As manchas escuras no rosto, de modo geral, são mais frequentes em peles de tom médio a escuro.

Mancha no rosto incomoda de verdade, e entendo isso. O melasma tem um peso emocional e social importante, sobretudo em mulheres de pele mais escura, e não é para menos: a mancha aparece toda vez que você se olha no espelho.

Por que o melasma aparece?

Não existe uma causa única: o melasma surge da soma de vários fatores. Entram fatores externos, como o sol, fatores hormonais, como os hormônios sexuais e a gravidez, e a inflamação da pele, em pessoas com predisposição genética. Os principais são:

  • Predisposição genética. Na pele com melasma, os melanócitos, as células que produzem a melanina, trabalham em excesso. Eu explico que essas células são muito reativas: produzem mais pigmento com qualquer radiação e também com qualquer gestação, e essa tendência é genética.
  • Hormônios. As oscilações hormonais participam do quadro, e a gravidez e o anticoncepcional são exemplos de situações associadas ao melasma. A gestação pode mudar o comportamento de doenças comuns da pele, entre elas o melasma.
  • Sol. A radiação ultravioleta e a luz visível, que é a luz que enxergamos, estão entre as exposições relacionadas ao melasma.
  • Inflamação e desgaste da pele. A inflamação da pele, como a dermatite de contato (uma reação da pele a alguma substância) e alguns procedimentos estéticos, também entra entre os fatores. O envelhecimento causado pelo sol, o fotoenvelhecimento, e o estresse oxidativo, que é o desgaste das células pelos radicais livres, completam o quadro.

Outros fatores do dia a dia também podem participar dessa soma, entre eles alterações da tireoide, vitamina D, estresse emocional, poluição do ar, medicamentos, alimentação e cuidados com a pele. Acredita-se que eles somem efeito entre si.

Por isso a avaliação procura entender o conjunto: histórico de sol, hormônios e tentativas anteriores. Se você usa anticoncepcional, não o suspenda por conta própria por causa da mancha: essa decisão é médica.

Toda mancha no rosto é melasma?

Não: manchas faciais têm origens diferentes, e cada uma pede um caminho. Existem vários tipos de mancha escura no rosto, cada um com seu próprio diagnóstico e seu próprio tratamento.

Por isso, mancha não é só "clarear". Tratar bem exige identificar o tipo, a profundidade e a causa, para combinar os recursos certos. Tratar sem avaliação pode frustrar e até piorar o quadro.

Além do melasma, a mancha pode vir de exposição solar acumulada, como nos lentigos, conhecidos como manchas de sol, de uma inflamação anterior, como a acne, ou do envelhecimento. Cada uma tem comportamento próprio, e o plano muda de acordo com a origem.

A avaliação costuma partir de perguntas simples: faz quanto tempo, a mancha apareceu de repente ou aos poucos, piora no sol, o que você já usou? As respostas orientam o plano.

Manchas vasculares, como vasinhos e rosácea, não são indicação do laser Vektra e pedem outro tipo de equipamento. Uma lesão suspeita ou sem diagnóstico definido pede avaliação médica antes de qualquer procedimento.

Como se trata o melasma? As três frentes do cuidado

O cuidado do melasma se organiza em três frentes que trabalham juntas: proteção solar, tratamento em casa e procedimentos. Vou resumir cada uma e indicar o artigo que aprofunda. Hoje o caminho mais indicado são as estratégias combinadas, que atuam ao mesmo tempo sobre o pigmento, a inflamação e o envelhecimento causado pelo sol.

FrenteO que incluiOnde aprofundar
ProteçãoProtetor solar todos os dias, com atenção à luz visívelProtetor solar no melasma
Tratamento em casaClareadores de uso na pele e, em alguns casos, ácido tranexâmico em comprimido, sempre com prescriçãoClareadores para melasma e ácido tranexâmico no melasma
ProcedimentosLaser, luz pulsada e peelings, indicados na avaliaçãoA próxima seção e a página do laser Vektra

Proteção. É a base do plano. Eu costumo brincar com as minhas pacientes que protetor no armário não funciona: comprar o protetor e não usar não protege ninguém. Na clínica, o resultado de qualquer procedimento depende de manutenção e de protetor solar todos os dias: sem isso, a mancha pode voltar.

Tratamento em casa. Reúne cosméticos e medicamentos de uso diário. Hidroquinona, tretinoína, fórmulas triplas (cremes que juntam três substâncias ativas) e ácido tranexâmico em comprimido são medicamentos de prescrição e exigem acompanhamento médico. Não use por conta própria nem siga a receita de outra pessoa.

Um creme isolado ajuda na manutenção, mas dificilmente dá conta sozinho de uma mancha já instalada. Por isso o plano costuma combinar recursos clínicos com orientação de cuidado em casa.

Procedimentos. Laser, luz pulsada e peelings entram quando a avaliação indica. A seguir, como cada um funciona.

Vale uma ressalva: ainda não existe um protocolo igual para todas as pessoas. O plano é individual, e não há como prometer o mesmo resultado para todos.

Quais procedimentos a clínica usa no melasma?

A clínica trabalha com laser, luz pulsada e peelings, escolhidos na avaliação conforme o perfil de cada pessoa. O procedimento de escolha da clínica para o melasma é o laser Vektra, um laser do tipo Nd:YAG Q-Switched, usado em baixa energia e conhecido como laser toning.

ProcedimentoComo ageO que saber
Laser Vektra (laser toning, de baixa energia)A energia é absorvida pela melanina e quebra o pigmento em partículas menores, que o sistema de defesa da pele vai retirandoSessões em série, com manutenção periódica; leve vermelhidão que costuma ceder em poucas horas
Peeling superficialDescamação controlada da camada mais externa, que estimula a renovação da peleIndicado em série, com descamação discreta e sem afastamento social
Peeling médioAtinge a parte superior da derme, a camada logo abaixo da superfície da peleIndicado em manchas mais resistentes, com descamação mais intensa e alguns dias de recuperação
Luz pulsadaPulsos de luz intensa dirigidos à pigmentaçãoEscolhida na avaliação, isolada ou combinada com outros recursos

O número de sessões e o intervalo são definidos na avaliação: não há protocolo fixo, e não existe resultado em uma única sessão. Dependendo do caso, o AL DermaGlow Repair, protocolo próprio da clínica voltado à renovação e à uniformização da pele, pode ser combinado com laser, luz pulsada ou peelings. O plano é conduzido pela equipe da clínica, com planejamento médico.

Convém ter cautela com a expectativa. Laser e luz são considerados uma terceira linha de tratamento, ou seja, uma opção importante para os casos resistentes, que não melhoram com os outros recursos. Ainda não há consenso sobre como eles se comparam aos outros tratamentos nem sobre a segurança a longo prazo.

Algumas situações pedem cuidado. No laser, a avaliação sinaliza gestação, infecção ativa, herpes sem tratamento preventivo e uso recente de isotretinoína por via oral.

Nos peelings, entram também herpes labial ativo, infecção de pele na área, pele muito sensível ou com a barreira de proteção comprometida, e a gestação depende do ácido. Se o melasma tem comportamento instável, a avaliação médica vem antes de qualquer peeling.

Quem realiza depende do procedimento e do caso. O peeling superficial pode ser feito pela esteticista, pela biomédica ou pelo médico, e os peelings médio e composto (a combinação de dois ácidos na mesma sessão), pelo médico ou pela biomédica, conforme a avaliação.

Sobre o peeling, um esclarecimento: a descamação dos dias seguintes não é o resultado, é o processo. A melhora mais perceptível aparece depois que a pele termina o ciclo de renovação, e os peelings mais superficiais precisam de mais sessões para acumular efeito.

Depois de qualquer procedimento, a proteção solar rigorosa e o cuidado com o sol forte fazem parte do tratamento. Qualquer sintoma fora do esperado deve ser comunicado à equipe.

Gravidez e amamentação mudam o tratamento?

Sim: na gravidez e na amamentação, a escolha de qualquer recurso para o melasma passa por avaliação médica individual. A gestação provoca mudanças nas defesas do corpo, nos hormônios, nos vasos e na barreira da pele, e isso pode alterar o curso de várias doenças de pele, entre elas o melasma.

Existem opções de tratamento que buscam equilibrar o controle da doença da mãe com a segurança do bebê, na gestação e depois do nascimento. Na prática, a escolha é feita caso a caso.

Na clínica, a gestação está entre as situações sinalizadas antes do laser Vektra, e nos peelings a decisão depende do ácido. Informe gestação, tentativa de engravidar e amamentação antes de qualquer tratamento, inclusive de cosméticos com substâncias ativas.

Melasma tem cura?

Não: melasma é crônico, e o objetivo realista é controle, não cura. O tratamento é desafiador, e a mancha volta com frequência. Eu costumo comparar com a pressão alta e o diabetes: é uma condição crônica, e o cuidado precisa ser contínuo.

Por isso falamos em controle e melhora, nunca em clareamento total, e a manutenção entra no plano desde o início. O melasma pode reativar com sol e hormônios, mesmo depois de uma fase boa. Desconfie de anúncios e produtos que prometem remover manchas de forma rápida e completa.

Por que ele volta, como funciona a manutenção e o que os procedimentos podem e não podem fazer estão em Melasma tem cura? Por que ele volta e como manter o resultado.

Para avaliar o seu caso na Clínica Alexandre Lima, em Belo Horizonte, veja a página de melasma em BH e o local de atendimento.

Assista ao vídeo do Dr. Alexandre sobre o tema:

Perguntas frequentes

Melasma tem cura?

Não. Melasma é crônico e tende a voltar. O que existe é controle, com proteção solar diária, produtos prescritos, procedimentos quando indicados e manutenção. Os detalhes estão no artigo sobre recidiva e manutenção.

O melasma pode aparecer ou piorar na gravidez?

Pode. A gestação altera hormônios, vasos e a barreira da pele, e o melasma está entre as condições cujo comportamento pode mudar nesse período. A escolha do tratamento na gravidez e na amamentação é sempre médica.

Posso tratar o melasma sozinha com produtos que vi na internet?

Não é o caminho mais seguro. Cada mancha tem tipo, profundidade e causa próprios, e tratar sem avaliação pode frustrar e até piorar o quadro. Eu oriento evitar produtos que não foram indicados para o seu caso ou que não têm respaldo médico, porque eles também podem trazer problemas. Hidroquinona, tretinoína e ácido tranexâmico exigem prescrição e acompanhamento médico.

O laser funciona para melasma?

O laser pode fazer parte do plano, mas não age sozinho. Ele é considerado uma terceira linha de tratamento, para os casos resistentes, e ainda não há consenso sobre como se compara aos outros recursos nem sobre a segurança a longo prazo. Na clínica, o resultado depende de manutenção e de protetor solar todos os dias.

Melasma e mancha de sol são a mesma coisa?

Não. A mancha de sol vem da exposição solar acumulada, enquanto o melasma envolve hormônios, predisposição genética e sol. O tipo, a profundidade e a causa mudam o plano, e a avaliação é o passo que decide.


Quer avaliar o seu caso?

Cada pele e cada rosto pedem um plano próprio. Na Clínica Alexandre Lima, em Funcionários, Belo Horizonte, a avaliação define o que faz sentido para você, com planejamento médico e acompanhamento da equipe.

Prefere ligar? (31) 3222-2245. Veja como chegar.


Sobre o autor

Dr. Alexandre Lima é médico (CRM-MG 38.981) com Especialização em Dermatologia, formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2003, com mais de 20 anos de atuação em estética facial e corporal. Dirige a Clínica Alexandre Lima, em Belo Horizonte, e mantém no YouTube um canal sobre cuidados com a pele com mais de 860 mil inscritos.

Referências

  1. Liao T, Luo R, Deng Y, et al. Targeting Melasma: Innovations in Pigment Deposition and Photoaging in Cosmetic Dermatology. J Cosmet Dermatol. 2026;25(1):e70665. doi:10.1111/jocd.70665
  2. Yang W, Meng X, Liu T, et al. The Exposome in Melasma: A Comprehensive Review of Etiology, Mechanisms, and Implications for Management. Clin Cosmet Investig Dermatol. 2026;19:594944. doi:10.2147/CCID.S594944
  3. Espósito ACC, Cassiano DP, da Silva CN, et al. Update on Melasma-Part I: Pathogenesis. Dermatol Ther (Heidelb). 2022;12(9):1967-1988. doi:10.1007/s13555-022-00779-x
  4. Syder NC, Quarshie C, Elbuluk N. Disorders of Facial Hyperpigmentation. Dermatol Clin. 2023;41(3):393-405. doi:10.1016/j.det.2023.02.005
  5. Lyons CE, Smith AD, Schwartzman G, et al. Managing Skin Diseases that Flare During Pregnancy and in the Postpartum period: Part 1-Classification, Epidemiology & Pathogenesis. J Am Acad Dermatol. 2026. doi:10.1016/j.jaad.2026.01.089
  6. Aljoaib NN, Baltoyour A, Al-Sharif M, et al. Efficacy and Safety of Laser-Based Therapies for Melasma: A Systematic Review and Meta-Analysis. Cureus. 2026;18(3):e106154. doi:10.7759/cureus.106154

Conteúdo informativo, que não substitui a avaliação individual. Revisão médica: Dr. Alexandre Lima, CRM-MG 38.981.