Por Dr. Alexandre Lima, médico com Especialização em Dermatologia (CRM-MG 38.981) · Publicado em 15/10/2026

Resposta rápida: No melasma, o protetor é parte do tratamento, não um complemento. Além da radiação ultravioleta, a luz visível estimula as células que produzem o pigmento, e a proteção só contra UVA e UVB pode não bastar. Vale escolher um protetor de amplo espectro, fator alto e textura que você aceite usar sempre, e perguntar ao médico sobre os protetores com cor, que tendem a proteger mais contra a luz visível.

O protetor solar faz parte do tratamento do melasma?

Sim: a proteção solar tem papel central na prevenção e no tratamento das manchas de pele. Sem ela, o estímulo que escurece a mancha continua presente, e o restante do plano perde força.

Os cuidados de base, que incluem o protetor solar e, quando indicados, os cremes prescritos pelo médico, já têm peso no resultado do tratamento. Por isso o protetor entra em qualquer plano, com ou sem procedimento.

Na clínica, a avaliação monta protocolos combinados, e a orientação de cuidado em casa, na qual entra o protetor solar, faz parte de cada plano. Para a visão geral do quadro, veja Melasma: o que é, por que aparece e como tratar.

A luz visível também escurece o melasma?

Sim: a luz visível, sobretudo a de alta energia, que inclui a luz azul-violeta, é um fator importante e subestimado no aspecto e na piora do melasma. Ela é a parte da luz que enxergamos, ao lado da radiação ultravioleta, que não enxergamos.

A luz azul-violeta estimula os melanócitos, as células que produzem o pigmento, e aumenta a produção de melanina. Quanto maior a exposição, maior o escurecimento da pele. A luz vermelha não tem esse efeito.

Hoje se sabe que a luz visível contribui para o escurecimento que fica na pele depois de uma inflamação e participa do melasma. O peso maior recai sobre as peles mais escuras, nas quais o impacto da doença é maior e o tratamento é mais difícil.

O FPS e o PPD bastam para o melasma?

Podem não bastar: a proteção comum contra UVB e UVA pode ser insuficiente para evitar manchas, porque a radiação UVA1, uma parte do UVA, e a luz azul também participam do escurecimento.

Há também um problema de medida. Para a radiação ultravioleta, o rótulo costuma trazer o FPS, que mede a proteção contra os raios UVB, e o PPD, que se refere à proteção contra os raios UVA. Eu já expliquei no canal a importância do PPD, e a proteção contra a luz azul também conta para quem tem melasma.

Para a luz visível, não existe um método padronizado para medir a proteção, então não há no rótulo um número que diga quanto o produto protege nessa faixa.

Enquanto esse método não existe, a escolha do produto depende da composição, da orientação médica e de um teste de uso.

E, como eu digo no vídeo sobre protetores, nenhum protetor resolve o melasma sozinho: ele ajuda até certo ponto, porque as alterações são complexas e têm vários fatores.

O que a cor do protetor tem a ver com isso?

A ideia dos protetores com cor é ampliar a proteção contra a luz visível. Eu oriento preferir um protetor com boa cobertura, como os que têm base, ou seja, com cor, que tendem a proteger melhor contra a luz visível. Como ainda não há método padronizado para medir esse ganho, não dá para comparar protetores com cor apenas pelo rótulo.

A cor também pesa na prática. Um protetor que você tolera na textura e na aparência é um protetor que você usa todos os dias, e a dificuldade de manter o uso diário é uma barreira conhecida à proteção solar.

Escolha um tom próximo ao da sua pele e uma textura confortável. Quando possível, experimente uma versão pequena por alguns dias antes de comprar a embalagem maior.

Desconfie de produto que promete clarear a mancha sozinho e em pouco tempo. Melasma é crônico, e o protetor protege e sustenta o tratamento, mas não o substitui.

Como escolher e usar o protetor na prática?

Cinco pontos orientam a escolha e o uso:

  • Amplo espectro e fator alto. O protetor deve ser de amplo espectro, que cobre UVA e UVB, e de fator alto.
  • Cobertura da luz visível. Pergunte ao seu médico sobre produtos que a considerem, como os protetores com cor, lembrando que esse benefício ainda não tem medida padronizada.
  • Textura e tom que você aceite. O uso diário depende disso.
  • Reaplicação. Reaplique ao longo do dia, no intervalo indicado na embalagem e na orientação do seu médico.
  • Rotina completa. A niacinamida, uma forma da vitamina B3, e outros antioxidantes de uso na pele são recomendados junto com o protetor.

O protetor é a base, mas não é o tratamento inteiro. Os clareadores, como a hidroquinona (que exige receita) e a cisteamina, estão em Clareadores para melasma, e o comprimido de ácido tranexâmico, que exige prescrição, está em Ácido tranexâmico no melasma. Se a mancha voltou mesmo com protetor, veja Melasma tem cura?.

Gravidez e peles mais escuras: o que muda?

Na gravidez, o risco de melasma aumenta e o protetor ganha ainda mais importância. A gestação traz mudanças na pele e na forma como ela reage à radiação ultravioleta, com maior risco de manchas, como o melasma e a linha nigra, uma linha escura que pode aparecer na barriga.

Apesar do benefício do protetor de amplo espectro, o uso entre gestantes costuma ser baixo. A orientação é priorizar protetores minerais, também chamados de físicos, de textura e aparência agradáveis e sem ingredientes associados a risco na gestação. A escolha do produto deve ser conversada com a equipe médica.

Em peles mais escuras, a proteção contra a luz visível é considerada fundamental para melhorar os resultados.

Para avaliar o seu caso e montar a rotina de proteção junto com o restante do plano, veja a página de melasma em BH.

Assista ao vídeo do Dr. Alexandre sobre o tema:

Perguntas frequentes

Só o FPS alto basta para melasma?

Não. A proteção comum contra UVB e UVA pode ser insuficiente, porque a radiação UVA1 e a luz azul também participam da pigmentação. Fator alto é um bom ponto de partida, mas a cobertura da luz visível entra na conversa.

Protetor com cor clareia a mancha?

O protetor protege e sustenta o tratamento, mas não clareia a mancha sozinho. A ideia da cor é ampliar a proteção contra a luz visível, e ainda não há um jeito padronizado de medir esse ganho. Desconfie de promessa de clarear sozinho e rápido.

Posso usar protetor solar na gravidez?

Sim, e o uso é recomendado. Protetores de amplo espectro ajudam a reduzir as mudanças de cor da pele na gestação, e a orientação é priorizar produtos minerais, sem ingredientes associados a risco. Converse com a equipe médica sobre o produto.

O protetor solar substitui o tratamento?

Não. Ele é a base do plano, que também inclui cuidado em casa, procedimentos quando indicados e manutenção. O melasma tende a voltar e precisa de um cuidado combinado.


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Sobre o autor

Dr. Alexandre Lima é médico (CRM-MG 38.981) com Especialização em Dermatologia, formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2003, com mais de 20 anos de atuação em estética facial e corporal. Dirige a Clínica Alexandre Lima, em Belo Horizonte, e mantém no YouTube um canal sobre cuidados com a pele com mais de 860 mil inscritos.

Referências

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  3. Lim HW, Schalka S, Trautinger F, et al. International modified Delphi consensus statement on visible light photoprotection: Effects, measurement, and recommendations. J Invest Dermatol. 2026;146(8):2094-2104.e2. doi:10.1016/j.jid.2026.03.012
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  6. Sadeghpour M, Laughter M, Rizzo SI, et al. Treatment of Melasma Using Low-Fluence QS Nd: YAG (1064 nm) Laser: A Blind, Randomized, Placebo-Controlled Trial. Dermatol Surg. 2026;52(3):205-211. doi:10.1097/DSS.0000000000004846

Conteúdo informativo, que não substitui a avaliação individual. Revisão médica: Dr. Alexandre Lima, CRM-MG 38.981.