Por Dr. Alexandre Lima, médico com Especialização em Dermatologia (CRM-MG 38.981) · Publicado em 03/10/2026
Resposta rápida: Flacidez facial é a perda gradual de firmeza e de sustentação do rosto, causada por menos colágeno, perda de volume e ligamentos mais frouxos. Em casa, proteção solar e bons hábitos ajudam a não acelerar o processo. Na flacidez leve a moderada, ultrassom microfocado, bioestimuladores e fios podem melhorar firmeza e contorno, de forma gradual. Flacidez intensa, com excesso de pele, pode pedir cirurgia.
O que é flacidez facial e por que ela aparece?
Flacidez facial é a perda de firmeza e de sustentação do rosto, e quase nunca tem uma causa só. Três coisas costumam acontecer juntas: a pele perde colágeno e elastina (as fibras que dão firmeza e elasticidade), as estruturas de suporte (gordura e osso) perdem volume e os ligamentos que seguram os tecidos enfraquecem.
Com o envelhecimento, o rosto perde volume, os tecidos ficam mais frouxos e o osso vai sendo reabsorvido, ou seja, diminui. Isso forma o sulco ao lado do queixo e reduz a definição da mandíbula.
A própria pele também muda. Com a idade, o ácido hialurônico natural da pele (substância que ajuda a segurar água) se degrada e é produzido em menor quantidade. A pele retém menos água, os vasos pequenos vão se deteriorando e os nutrientes chegam pior até ela.
O processo é progressivo e costuma se intensificar a partir dos 35 a 40 anos, mas pode aparecer mais cedo. Genética, sol acumulado e hábitos de vida pesam nessa conta, e por isso duas pessoas da mesma idade podem ter rostos bem diferentes.
Na avaliação, o olhar se divide em três frentes: a firmeza da pele, o volume das estruturas de suporte e a sustentação dos ligamentos. Cada uma pede um caminho diferente, e só a avaliação presencial mostra qual delas predomina no seu rosto.
O que dá para fazer em casa contra a flacidez?
Em casa, o que vale a pena é proteger a pele e evitar acelerar o processo, mas nenhum cuidado doméstico reposiciona um rosto que já cedeu. A base é a proteção solar diária, porque o sol acumulado é um dos fatores que fazem a flacidez aparecer mais cedo.
E o creme? Cosmético faz parte do cuidado da pele, e qualquer produto com ingrediente que depende de receita exige avaliação e acompanhamento médico. Para a flacidez, porém, o creme tem um limite: ela envolve volume, gordura, osso e ligamentos, camadas profundas que um produto aplicado na superfície não tem como repor.
E o colágeno oral? O colágeno hidrolisado (o de pó ou cápsula) pode ajudar a pele depois de algumas semanas de uso, e dormir bem pode reforçar esse efeito. Mas ele serve mais para prevenir o envelhecimento da pele do que para tratar uma flacidez que já se instalou.
Resumindo: cuidado em casa é parte do plano, mas não substitui a avaliação nem os procedimentos quando o rosto já perdeu sustentação.
Qual tratamento serve para cada grau de flacidez?
O tratamento depende do grau da flacidez e do que está por trás dela: pele, volume ou sustentação. A tabela é um mapa geral para a conversa na avaliação, e não uma receita.
| O que a pessoa nota | Caminhos que a avaliação considera | O que não resolve |
|---|---|---|
| Pele que perdeu firmeza, flacidez leve a moderada no meio e na parte de baixo do rosto, no contorno da mandíbula, na papada e no pescoço | Ultrassom microfocado; radiofrequência e laser fracionado como complementos | Não adiciona volume e não resolve excesso importante de pele |
| Perda de volume no rosto, como nas têmporas, no queixo e no contorno da mandíbula | Bioestimuladores e preenchimento | Não substituem a cirurgia na flacidez avançada |
| Início de queda do rosto e contorno da mandíbula apagado pela queda de tecido | Fios de sustentação, isolados ou em protocolo combinado | Não resolvem excesso importante de pele nem perda de volume isolada |
| Rugas finas em áreas pequenas e perda de qualidade da pele | Fios lisos de PDO e bioestimuladores | O fio liso não levanta a pele |
| Flacidez avançada, com excesso importante de pele | Avaliação, com possível indicação cirúrgica | Nenhum procedimento não cirúrgico entrega resultado de cirurgia |
Repare na última linha. Expressões como "lifting sem cirurgia" prometem mais do que esses tratamentos entregam. O que se pode esperar é uma melhora de firmeza e de contorno, de forma gradual. Flacidez intensa e excesso de pele pedem uma conversa franca sobre cirurgia.
Quando mais de uma frente está envolvida, a clínica usa combinações definidas na avaliação, como o protocolo próprio AL Lift Contour, que pode reunir ultrassom microfocado, fios de sustentação e bioestimulador. O plano é feito pela equipe da clínica, com planejamento médico.
Se a queixa principal é a papada, gordura e flacidez costumam se misturar, e o texto sobre papada e tratamentos sem cirurgia detalha como separar uma da outra.
O que o ultrassom microfocado entrega, e o que não entrega
O ultrassom microfocado concentra energia em pontos precisos abaixo da pele, gerando pequenos focos de aquecimento controlado. O reparo desse tecido produz colágeno novo, e a pele pode ficar mais firme ao longo dos meses. É o que muita gente conhece como Ultraformer.
A melhora existe, mas é pequena: a elevação da sobrancelha e a redução da área sob o queixo, por exemplo, ficam na casa dos milímetros. Por isso a expectativa correta é de firmeza e contorno, e não de resultado cirúrgico.
O efeito começa a aparecer por volta de 30 dias e chega ao pico entre 3 e 6 meses. A manutenção costuma ser semestral a anual, conforme o caso, e o número de sessões é individualizado. Os detalhes estão no texto sobre como funciona o ultrassom microfocado e na página do Ultraformer 3 Full Face em Belo Horizonte.
Sobre segurança, os efeitos mais comuns são inchaço passageiro, vermelhidão e dor após o procedimento, e complicações importantes são pouco comuns. Na clínica, o esperado é vermelhidão e leve inchaço por cerca de 24 horas, além de possível sensibilidade na região, em geral passageiros.
Existe ainda uma dúvida comum: o ultrassom atrapalharia uma cirurgia futura? Até hoje não há comprovação de que isso aconteça, apenas relatos isolados, quase sempre sem confirmação.
Radiofrequência (que aquece a pele) e laser fracionado também entram na conversa. De formas diferentes, eles e o ultrassom ajudam na formação de colágeno e têm papel complementar, e a avaliação define o que faz sentido para o seu caso.
Bioestimuladores e preenchimento: quando entram?
Bioestimuladores são injetáveis que estimulam as células da pele a produzir colágeno novo, e por isso atuam na flacidez de dentro para fora. O organismo reconhece a substância injetada como um corpo estranho e responde com uma reação controlada: células de defesa chegam ao local e sinalizam aos fibroblastos, que são as células que produzem colágeno.
As substâncias mais usadas são o ácido poli-L-láctico, a hidroxiapatita de cálcio e a policaprolactona. A comparação entre elas está no texto sobre bioestimuladores de colágeno, e a página do bioestimulador de ácido poli-L-láctico traz detalhes sobre esse tipo.
O resultado não é imediato. O volume inicial do líquido some em poucos dias, e o colágeno novo aparece aos poucos, com primeiros efeitos entre 30 e 45 dias e pico entre 3 e 6 meses. Na minha prática, a faixa costuma ser de 2 a 4 sessões, em muitos casos pelo menos três, e em pele mais madura talvez um pouco mais. O resultado evolui com o tempo e depende do produto e da quantidade utilizada. Na minha avaliação, o bioestimulador também pode complementar o resultado do ultrassom na flacidez.
Quando o problema é sobretudo volume, o caminho muda. O ácido hialurônico, a hidroxiapatita de cálcio e o ácido poli-L-láctico estão entre os injetáveis usados para repor volume e melhorar contornos. O preenchimento facial entra nesses casos, com riscos e contraindicações próprios que a avaliação detalha.
Combinar ultrassom e bioestimulador é comum, e a ordem pode fazer diferença: começar pelo ultrassom e aplicar o bioestimulador algumas semanas depois pode dar um resultado melhor do que a ordem inversa. Ainda assim, não existe protocolo fixo, e a sequência é definida na avaliação.
Quanto aos riscos, inchaço, hematoma (mancha roxa) e dor são os efeitos mais comuns, em geral leves e passageiros. Podem surgir nódulos (caroços sob a pele), e complicações graves são raras e ligadas à técnica.
Fios de sustentação e cirurgia: onde entram?
Fios de sustentação são fios absorvíveis colocados sob a pele, com cones ou espinhos que ancoram e levantam o tecido caído. Em geral, entram quando há início de queda do rosto ou contorno da mandíbula apagado pela queda de tecido. Parte do efeito aparece na própria sessão, e o restante amadurece ao longo de cerca de 30 dias. Indicações, duração e riscos estão no texto sobre fios de PDO.
Fios lisos são outra coisa: estimulam colágeno e melhoram a qualidade da pele em áreas pequenas, mas não levantam.
Quando a flacidez é avançada, com excesso importante de pele, a indicação pode ser cirúrgica. Nesses casos, nenhum procedimento não cirúrgico entrega o que uma cirurgia entrega, e a avaliação presencial é o caminho para saber em que ponto o seu rosto está.
Quem não deve fazer, e como a avaliação define o plano?
Alguns tratamentos têm contraindicações. Para o ultrassom, elas incluem gestação e amamentação, infecção ou inflamação na área, material metálico na região, marcapasso ou outro aparelho eletrônico ativo, doença autoimune ativa (quando o sistema de defesa ataca o próprio corpo) e câncer ou tumor ativo na área tratada. Para os bioestimuladores, incluem gestação, infecção ou inflamação local, doenças autoimunes ativas, alergia ao produto e presença de preenchedor permanente na área. Cada situação é avaliada na consulta.
A clínica trabalha apenas com materiais reabsorvíveis e não usa material permanente, como o PMMA.
Eu insisto nisto: o mais importante é a avaliação. Não adianta chegar pedindo um procedimento escolhido de antemão. É preciso confiar no profissional e escolher bem quem vai olhar o seu rosto.
A avaliação começa entendendo onde você percebe mais a queda (bochecha, mandíbula, pescoço), há quanto tempo isso incomoda e se você já fez algum procedimento. Com essas respostas, a equipe da clínica monta o plano, com planejamento médico. Algumas perguntas ajudam a conduzir a conversa:
- Qual é a causa predominante da flacidez no meu caso: pele, volume ou sustentação?
- O que esse procedimento não resolve?
- Quantas sessões costumam ser necessárias e como é a manutenção?
- Quais são os riscos e as contraindicações para mim?
- Existe uma alternativa mais conservadora?
Assista ao vídeo do Dr. Alexandre sobre o tema:
Perguntas frequentes
Flacidez facial tem cura?
A flacidez não tem cura no sentido de parar o envelhecimento, porque o processo é progressivo. Os tratamentos podem melhorar firmeza e contorno, e a manutenção faz parte do plano. Na prática da clínica, no ultrassom microfocado ela costuma ser semestral a anual, e nos bioestimuladores a durabilidade costuma ser de 1 a 2 anos, dependendo do produto e da pessoa.
A partir de que idade a flacidez aparece?
Costuma se intensificar a partir dos 35 a 40 anos, mas pode aparecer antes. Genética, sol acumulado e hábitos influenciam. A idade, por si só, não define o tratamento: a avaliação mostra o que está acontecendo no seu rosto.
Ultrassom microfocado ou bioestimulador: qual escolher?
Os dois agem de formas diferentes e podem se complementar. O ultrassom contrai o tecido e estimula colágeno com calor, mas não adiciona volume. O bioestimulador estimula colágeno por injeção e também atua na perda de volume. A escolha depende do que a avaliação encontrar.
Em quanto tempo o resultado aparece?
De forma gradual. No ultrassom microfocado, o efeito começa por volta de 30 dias e chega ao pico entre 3 e 6 meses. Nos bioestimuladores, os primeiros efeitos aparecem entre 30 e 45 dias, com pico entre 3 e 6 meses, e o resultado melhora a cada sessão.
Quem não deve fazer esses tratamentos?
Gestantes, pessoas com infecção ou inflamação na área, com doença autoimune ativa e quem tem material metálico na região (no caso do ultrassom) precisam de cautela ou não devem fazer. A avaliação médica define cada situação.
Quer avaliar o seu caso?
Cada pele e cada rosto pedem um plano próprio. Na Clínica Alexandre Lima, em Funcionários, Belo Horizonte, a avaliação define o que faz sentido para você, com planejamento médico e acompanhamento da equipe.
Prefere ligar? (31) 3222-2245. Veja como chegar.
Sobre o autor
Dr. Alexandre Lima é médico (CRM-MG 38.981) com Especialização em Dermatologia, formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2003, com mais de 20 anos de atuação em estética facial e corporal. Dirige a Clínica Alexandre Lima, em Belo Horizonte, e mantém no YouTube um canal sobre cuidados com a pele com mais de 860 mil inscritos.
Referências
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Conteúdo informativo, que não substitui a avaliação individual. Revisão médica: Dr. Alexandre Lima, CRM-MG 38.981.
