Por Dr. Alexandre Lima, médico com Especialização em Dermatologia (CRM-MG 38.981) · Publicado em 03/10/2026

Resposta rápida: Fios de PDO são fios absorvíveis colocados sob a pele. Os lisos estimulam colágeno em áreas pequenas e não levantam. Os de sustentação têm cones ou espinhos e podem reposicionar o tecido na flacidez leve a moderada, com efeito que, na prática da clínica, dura cerca de 1 ano a 1 ano e meio. Há risco de inchaço, manchas roxas e irregularidades, e eles não substituem cirurgia.

O que são fios de PDO e quais são os tipos?

Fios de PDO são fios absorvíveis de polidioxanona, colocados sob a pele para estimular colágeno ou para sustentar o tecido. No dia a dia, o nome é usado para dois procedimentos que se parecem pouco: os fios lisos e os fios de sustentação.

Os fios lisos são colocados na derme (a camada da pele onde fica o colágeno) e servem para bioestimulação: estimulam a produção de colágeno e melhoram a qualidade da pele, mas não levantam. Os fios de sustentação têm estruturas próprias, como cones ou espinhos, que ancoram e levantam o tecido caído. A clínica trabalha com fios de PDO e também de ácido poli-L-láctico (PLLA), o mesmo material dos bioestimuladores Sculptra e Elleva. Nos dois casos o material é reabsorvível, e a clínica não trabalha com materiais permanentes.

Os fios de sustentação são um procedimento um pouco mais invasivo para tratar a flacidez facial. Além dos fios de polidioxanona e de ácido poli-L-láctico, existem também fios absorvíveis de policaprolactona.

Fio liso: para que serve e o que ele não faz?

O fio liso serve para rugas finas em áreas pequenas e para melhorar a qualidade e a firmeza da pele. As indicações são as rugas finas da testa e da glabela (entre as sobrancelhas), a área dos olhos (pálpebras inferiores e pés de galinha), o "código de barras" (linhas finas acima do lábio) e áreas pequenas que pedem mais firmeza.

A colocação do fio provoca um pequeno estímulo na derme e uma reação controlada do organismo, que leva os fibroblastos (as células responsáveis pelo colágeno) a produzir colágeno novo. O fio é reabsorvido ao longo dos meses, e o colágeno formado tende a permanecer e a sustentar o resultado por mais tempo. Os primeiros sinais aparecem por volta de 30 dias, com pico entre 3 e 4 meses. Para os fios lisos, essa descrição vem da prática da clínica, e o efeito esperado é discreto e gradual.

Há situações em que a toxina botulínica não resolve tudo, porque as rugas já estão marcadas e a pele já está "craquelada". Nesses casos, podemos usar o fio de PDO para induzir a produção de colágeno na região e melhorar a textura e a espessura da pele, o que suaviza as ruguinhas que ficam mesmo com a toxina.

O fio liso não levanta a pele e não resolve flacidez moderada ou avançada, perda importante de volume nem sulcos profundos. A sessão em geral é única, com anestesia tópica (em creme) ou anestesia local injetada nos pontos, e a quantidade de fios e as áreas são individualizadas. Se houver tratamento com laser, o intervalo é de pelo menos 4 semanas.

Fio de sustentação: o que ele levanta e o que não levanta?

Fios de sustentação servem para reposicionar o tecido que desceu. As indicações são flacidez facial leve a moderada, início de queda do rosto, contorno da mandíbula apagado pela queda de tecido, papada e flacidez do pescoço, marcas ao redor da boca, como o sulco nasogeniano (o bigode chinês) e o sulco labiomentoniano, bochechas que desceram e elevação das sobrancelhas.

Os fios entram sob a pele em uma camada profunda, com anestesia local nos pontos de entrada e de saída. O mecanismo é duplo: parte do efeito de sustentação aparece na própria sessão, e o restante amadurece ao longo de cerca de 30 dias, com o colágeno novo. A quantidade de fios varia conforme o grau de flacidez.

Costumo usar fios de ácido poli-L-láctico, que são absorvíveis. Na minha experiência com esse tipo de fio, o procedimento pode usar de dois a quatro pares, conforme o grau de flacidez, e o reposicionamento pode tratar a queda da flacidez sem precisar preencher mais. Os fios também ajudam na produção de colágeno, de forma semelhante aos bioestimuladores, e criam uma sustentação que pode melhorar o bigode chinês.

Excesso de gordura no local a ser tratado pode alterar o resultado final do procedimento. Os fios também não resolvem excesso importante de pele, flacidez com indicação cirúrgica nem perda de volume isolada. Nesses casos, a avaliação pode indicar preenchimento, bioestimulador, um protocolo combinado ou cirurgia.

Em quem tem a indicação certa, o efeito de levantar aparece logo e o risco de complicações perigosas é baixo. Por outro lado, o lifting com fios não deve ser apresentado como alternativa à cirurgia do rosto (ritidoplastia).

Quanto duram os fios de PDO?

A duração depende do tipo de fio. A tabela compara os dois.

CaracterísticaFio lisoFio de sustentação
Para que serveRugas finas e qualidade da pele em áreas pequenasReposicionar o tecido na flacidez leve a moderada
Levanta a pele?NãoPode, na flacidez leve a moderada; parte do efeito já na sessão
Quando aparecePrimeiros sinais por volta de 30 dias, com pico entre 3 e 4 mesesParte na sessão, com o efeito final ao longo de cerca de 30 dias
DuraçãoEm torno de 12 a 18 mesesCerca de 1 ano a 1 ano e meio, com manutenção depois

O material é reabsorvido aos poucos. No fio liso, é o colágeno estimulado que tende a sustentar o resultado por mais tempo. Esses prazos são os da prática da clínica e variam de pessoa para pessoa. Ainda não se sabe com precisão por quanto tempo o efeito dura a longo prazo, e, como os fios absorvíveis se degradam com facilidade, pode ser preciso repetir a aplicação em prazo relativamente curto.

Quais são os riscos e quem não deve fazer?

Inchaço, manchas roxas (equimoses), sensibilidade local e pequenas irregularidades passageiras podem ocorrer. No fio liso, o inchaço costuma ser leve e os hematomas pequenos, e eles se resolvem em poucos dias.

Os fios mais antigos, não absorvíveis, tinham taxas altas de complicação e de necessidade de refazer o procedimento, e eram mais propensos a causar alergias. As técnicas mais novas, com fios absorvíveis, têm menos efeitos adversos. A clínica trabalha só com materiais reabsorvíveis.

O procedimento exige conhecimento profundo da anatomia do rosto: é preciso desviar com cuidado dos vasos sanguíneos, proteger os nervos, respeitar as camadas de gordura e usar os ligamentos que seguram a pele como pontos de apoio. Isso reduz o risco de complicações. Escolher bem para quem o procedimento é indicado também é decisivo para o resultado e para a satisfação. Por isso a avaliação prévia é obrigatória.

Há situações que contraindicam ou pedem avaliação cuidadosa: gestação, alergia ao material, infecção ou inflamação ativa na área (como dermatite ou herpes), distúrbios de coagulação sem ajuste médico, doenças autoimunes descompensadas (fora de controle), tendência a queloide (cicatriz que cresce além do normal), tratamento de câncer em andamento e diabetes descompensada.

Depois da sessão, a orientação é dormir de barriga para cima nos primeiros dias, não esfregar nem massagear o local, evitar expressões faciais exageradas e esporte por cerca de uma semana, usar proteção solar e voltar para a avaliação por volta de 15 dias. Para qualquer sintoma fora do esperado, a paciente fala com a equipe da clínica.

Fios, ultrassom, bioestimulador ou cirurgia: como escolher?

A escolha depende do que predomina no seu rosto. Quando o problema é a firmeza da pele, o ultrassom microfocado é um dos caminhos. Quando falta volume, entram o preenchimento facial e os bioestimuladores de colágeno. Quando há queda do tecido, os fios de sustentação podem fazer parte do plano, e a clínica também combina técnicas, como no protocolo AL Lift Contour, que reúne fios, preenchimento e bioestimulador.

Os fios combinam com toxina botulínica, preenchimento de ácido hialurônico e peeling, quando o caso pede. Na região do queixo e do pescoço, o texto sobre papada e tratamentos sem cirurgia ajuda a separar gordura de flacidez. O panorama completo, do cuidado em casa ao procedimento, está em flacidez facial: o que realmente funciona. Em flacidez avançada, a avaliação pode apontar a cirurgia como o caminho.

Assista ao vídeo do Dr. Alexandre sobre o tema:

Perguntas frequentes

O fio de PDO levanta o rosto?

Os fios de sustentação, com cones ou espinhos, podem reposicionar o tecido que desceu na flacidez leve a moderada. Os fios lisos não levantam: estimulam colágeno e melhoram a qualidade da pele. Nenhum dos dois substitui a cirurgia na flacidez avançada.

Os fios aparecem ou dá para sentir ao toque?

Em geral, não. São reabsorvíveis: depois de estimular o colágeno, o organismo os absorve, e eles tendem a ficar imperceptíveis aos olhos e ao toque. Pequenas irregularidades transitórias podem ocorrer logo após o procedimento.

Quanto tempo duram os fios de PDO?

Na prática da clínica, o fio liso tem efeito em torno de 12 a 18 meses, considerando o colágeno estimulado. Nos fios de sustentação, o efeito costuma durar de 1 ano a 1 ano e meio, com manutenção depois, e a duração varia de pessoa para pessoa. Ainda não se sabe com precisão como o efeito se comporta a longo prazo.

O procedimento dói? Tem recuperação?

Há anestesia local ou tópica, e, dependendo da sensibilidade, pode haver algum desconforto. A recuperação costuma ser rápida, sem longo repouso, com inchaço leve e pequenos hematomas que se resolvem em poucos dias.

O fio de PDO substitui o lifting cirúrgico?

Não. Em flacidez leve a moderada, é uma alternativa não cirúrgica. Em flacidez avançada, não substitui a cirurgia, e o lifting com fios não deve ser apresentado como alternativa a ela.


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Sobre o autor

Dr. Alexandre Lima é médico (CRM-MG 38.981) com Especialização em Dermatologia, formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2003, com mais de 20 anos de atuação em estética facial e corporal. Dirige a Clínica Alexandre Lima, em Belo Horizonte, e mantém no YouTube um canal sobre cuidados com a pele com mais de 860 mil inscritos.

Referências

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Conteúdo informativo, que não substitui a avaliação individual. Revisão médica: Dr. Alexandre Lima, CRM-MG 38.981.