Por Dr. Alexandre Lima, médico com Especialização em Dermatologia (CRM-MG 38.981) · Publicado em 19/10/2026
Resposta rápida: Celulite é uma alteração do relevo da pele, com aspecto de casca de laranja, ligada à estrutura do tecido sob a pele, a hormônios e à genética, e de causa não totalmente esclarecida. Na minha avaliação, não é doença, e nenhum tratamento assegura que ela desapareça. Alguns recursos podem melhorar o aspecto, como a subcisão e o bioestimulador de colágeno, mas o resultado é gradual, variável e pede manutenção.
O que é celulite e ela é uma doença?
Celulite é uma alteração do relevo da pele, com depressões e ondulações que lembram uma casca de laranja. Ela aparece em regiões com mais gordura, como quadris, glúteos, coxas e abdome, e atinge a grande maioria das mulheres.
O nome técnico é lipodistrofia ginoide, e ela também é conhecida como síndrome da casca de laranja. Ela se manifesta por alterações no tecido sob a pele, como nódulos, inchaço e tecido fibroso em excesso.
Minha posição é clara: celulite não é doença. Mas é uma preocupação estética importante para muitas mulheres, que gera desconforto e pode pesar na autoestima e na saúde mental.
No canal, eu explico a celulite em quatro graus, de acordo com a aparência e a gravidade. No grau 1, a pele só ondula quando é comprimida. No grau 2, as ondulações e os furinhos já são percebidos. No grau 3, os nódulos e as ondulações são claramente visíveis. No grau 4, há vários nódulos e a pele ganha aspecto acolchoado. Essa divisão ajuda a explicar a gravidade, e quem define o grau no seu caso é a avaliação presencial.
Por que a celulite aparece?
A celulite aparece por uma combinação de fatores, e a causa exata ainda não está esclarecida.
Um ponto central é a estrutura sob a pele: as células de gordura ficam envolvidas por cordões de tecido fibroso, os septos, que puxam a pele para baixo e formam as depressões.
Fatores hormonais, alterações no funcionamento da camada interna dos vasos sanguíneos e predisposição genética também são considerados. A retenção de líquidos e o acúmulo de gordura costumam se somar a esse quadro. A celulite pode aparecer em qualquer biotipo, inclusive em mulheres magras.
Os hormônios participam, mas isso não é motivo para suspender anticoncepcional por conta própria. A troca ou a suspensão de pílula, anel ou outro método exige prescrição e acompanhamento médico, para evitar uma gravidez indesejada.
A escolha do tratamento depende de qual fator predomina em cada caso, e isso só a avaliação médica define.
O que é mito sobre a celulite?
Não é verdade que a celulite só apareça em quem está acima do peso, e nenhum recurso assegura que ela desapareça. A tabela compara cada ideia comum com o que se sabe hoje.
| Ideia comum | O que se sabe |
|---|---|
| Celulite é doença | Na minha avaliação, não é doença, mas pode afetar a autoestima e a qualidade de vida |
| Só quem está acima do peso tem celulite | A celulite atinge a grande maioria das mulheres e também aparece em quem é magra |
| Celulite é só gordura | As depressões se formam por septos fibrosos que puxam a pele, e a gordura e os líquidos se somam a eles |
| Algum tratamento faz a celulite desaparecer | Nenhum assegura isso: o resultado da maioria é imprevisível e a melhora tende a durar pouco |
| Os aparelhos têm eficácia comprovada | Para correntes elétricas, radiofrequência, ultrassom e luz (fotobiomodulação), ainda não há prova firme de que funcionem. Podem ajudar, mas o efeito é incerto |
| Creme resolve qualquer celulite | Na prática da clínica, depressões fixas e ancoradas costumam não melhorar só com creme nem com tecnologias de superfície, e é nesses casos que a subcisão entra |
O que ajuda no tratamento da celulite?
Não existe um tratamento ideal para todos os casos, e a força da prova varia muito de um recurso para outro. A celulite é difícil de tratar, e por isso se considera combinar recursos, escolhidos conforme a gravidade.
Há várias opções, desde aparelhos externos, que não perfuram a pele, até procedimentos com agulha ou cânula. O resultado da maioria é imprevisível e a melhora tende a durar pouco, embora as tecnologias mais novas tenham avançado.
Para os aparelhos de energia, como correntes elétricas, radiofrequência, ultrassom e luz, ainda não há prova firme de que melhorem a celulite. Eles podem ajudar, mas o efeito é incerto.
O bioestimulador de colágeno de ácido poli-L-láctico (PLLA), aplicado em sessões repetidas junto com a subcisão, pode melhorar a aparência da celulite de glúteos e coxas e costuma ser bem tolerado. Ainda não há como dizer com precisão por quanto tempo essa melhora se mantém além dos primeiros meses.
Digo isso com clareza: nenhum tratamento dá a certeza de que a celulite vai desaparecer, nem de que a melhora será permanente. Para mim, os procedimentos são coadjuvantes de um cuidado de longo prazo, que inclui alimentação adequada e atividade física.
Quando a subcisão e os outros recursos entram no plano?
A subcisão trata o tipo de celulite que forma depressões fixas, os furinhos ancorados, e não a celulite leve, só de superfície. É um procedimento de consultório, feito pelo médico, com anestesia local. Uma agulha ou cânula (um tubo fino) desfaz os septos fibrosos que prendem a pele. Liberada a tração, a depressão se eleva, e o processo de reparo estimula colágeno novo.
A subcisão costuma ser indicada nos graus 2 e 3, principalmente em glúteos e coxas, quando creme e tecnologias de superfície não melhoraram as depressões. A manutenção depende de peso e de hábitos, e a celulite pode voltar, principalmente com ganho de peso. A tabela mostra o papel de cada recurso que a clínica pode combinar.
| Recurso | Papel no plano |
|---|---|
| Subcisão | Libera os septos que formam as depressões fixas |
| Bioestimulador de colágeno | Firmeza e estímulo de colágeno |
| Criofrequência | Firmeza e circulação |
| Ultraformer | Complemento do plano, conforme a avaliação |
| Protocolos corporais próprios | Combinam recursos para glúteos e coxas |
A subcisão não trata sozinha a gordura localizada, a flacidez importante nem a celulite grau 1. Para a celulite leve, só de superfície, entram a criofrequência, o Ultraformer ou protocolos corporais.
Para ganhar firmeza, entram os bioestimuladores de colágeno, como o Sculptra e o Elleva (ambos PLLA).
Na prática da clínica, a celulite costuma ser tratada de forma combinada: a subcisão trata a depressão fixa, e outros recursos cuidam de gordura, circulação e firmeza no mesmo plano.
O tempo de resposta varia de um recurso para outro. Os números abaixo são faixas gerais usadas pela clínica e não são promessa. A coluna de duração é a menos previsível, porque para a maioria dos tratamentos a melhora da celulite costuma durar pouco. A avaliação ajusta cada caso.
| Recurso | Início do efeito | Pico | Duração em geral |
|---|---|---|---|
| Subcisão | Por volta de 2 a 4 semanas | Até cerca de 6 meses | De 1 a 2 anos, com manutenção |
| Bioestimulador corporal | Por volta de 30 a 45 dias | Entre 3 e 6 meses | De 1 a 2 anos, conforme o produto e a área |
O número de sessões da subcisão e as áreas tratadas são definidos na avaliação, sem protocolo fixo. As sessões, os cuidados e os efeitos do bioestimulador no corpo estão detalhados em flacidez corporal.
Os efeitos esperados da subcisão são hematomas (manchas roxas), inchaço e dor passageira na região, e é preciso evitar atividade vigorosa nos primeiros dias. Gestação, infecção ou inflamação na pele da área, problemas de coagulação do sangue, uso de anticoagulante (remédio que afina o sangue) sem orientação médica e tendência a queloide (cicatriz que cresce além do normal) são contraindicações, avaliadas caso a caso.
No bioestimulador corporal, os efeitos esperados são vermelhidão, hematomas e inchaço, em geral leves e passageiros. Gestação, doenças autoimunes ativas e infecção ou inflamação no local entram nas contraindicações, também avaliadas caso a caso.
Celulite, gordura, flacidez ou estria: como diferenciar?
Nem toda queixa no corpo é celulite, e separar as queixas muda o plano.
Quando o incômodo principal é o acúmulo de gordura em uma região, o assunto é gordura localizada sem cirurgia.
Quando a pele está frouxa em braços, abdome ou coxas, o assunto é flacidez corporal. Marcas lineares vermelhas ou esbranquiçadas, que surgem depois de gestação, ganho de peso ou crescimento, são estrias, e a fase delas muda o tratamento: veja estrias vermelhas e brancas.
Essas queixas podem aparecer juntas na mesma região, e o plano combina os recursos conforme o que predomina.
O que fazer antes de escolher um tratamento?
Antes de escolher um procedimento, cuide do que está ao seu alcance e busque uma avaliação médica.
Recomendo atividade física regular e boa ingestão de água: são pontos fundamentais do cuidado com a celulite, e nenhum procedimento os substitui. Estilo de vida e manutenção fazem parte do resultado. Desconfie de promessas de sumiço total ou de resultado permanente: não há prova de que isso aconteça.
Na avaliação, o plano é montado olhando o seu caso. O que pesa é a região que mais incomoda, se o incômodo é só visual ou também ao toque, o que você já tentou e o que espera do tratamento: suavizar, melhorar a textura geral ou outra mudança. A celulite tem causas diferentes em cada pessoa, e por isso não existe plano igual para todas.
Vale também confirmar o que parece celulite. No consultório, aparecem casos em que celulite e lipedema se confundem, e a avaliação médica separa as duas condições antes de qualquer procedimento.
Antes de fechar um tratamento, vale perguntar:
- Qual é a indicação para o meu caso e o que o procedimento não resolve?
- Há prova de que esse recurso funciona para celulite, ou é só promessa?
- Quais são os efeitos esperados e as contraindicações?
- Quanto tempo dura o resultado e o que preciso manter?
Assista ao vídeo do Dr. Alexandre sobre o tema:
Perguntas frequentes
Existe tratamento que faça a celulite desaparecer?
Não existe tratamento que assegure isso. Para a maioria das opções, o resultado é imprevisível e a melhora costuma durar pouco. Por isso a meta realista é melhorar o aspecto da pele, com resultado gradual e manutenção.
Estar magra evita a celulite?
Não. A celulite aparece em qualquer biotipo, inclusive em mulheres magras. O peso e os hábitos influenciam a manutenção do resultado depois de um tratamento, principalmente quando há ganho de peso.
Celulite e lipedema são a mesma coisa?
Não. No canal, eu explico que a celulite é uma alteração praticamente normal da pele e que o lipedema é uma doença crônica, com acúmulo excessivo de gordura em pernas, coxas, joelhos e braços, que nos graus leves a moderados se assemelha à celulite. Por isso a avaliação médica vem antes de qualquer procedimento.
A subcisão dói e tem riscos?
Ela é feita com anestesia local, para conforto. Os efeitos esperados são hematoma, inchaço e dor passageira na região. Nas primeiras 24 horas, a compressa fria ajuda, e nos primeiros dias é preciso evitar exercício vigoroso, sauna e sol direto na área. Qualquer sintoma fora do esperado deve ser levado à equipe da clínica.
Quanto tempo dura a melhora da celulite?
Depende do recurso, do peso e dos hábitos. Para a maioria dos tratamentos, a melhora costuma durar pouco. Para a subcisão, a faixa geral usada pela clínica é de 1 a 2 anos, com manutenção, e isso não é promessa.
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Sobre o autor
Dr. Alexandre Lima é médico (CRM-MG 38.981) com Especialização em Dermatologia, formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2003, com mais de 20 anos de atuação em estética facial e corporal. Dirige a Clínica Alexandre Lima, em Belo Horizonte, e mantém no YouTube um canal sobre cuidados com a pele com mais de 860 mil inscritos.
Referências
- Gabriel A, Chan V, Caldarella M, et al. Cellulite: Current Understanding and Treatment. Aesthet Surg J Open Forum. 2023;5:ojad050. doi:10.1093/asjof/ojad050
- Longano C, de Faria Coelho C, Buslik SA, et al. Does electrophysical agents work for cellulite treatment? a systematic review of clinical trials. Lasers Med Sci. 2024;39(1):120. doi:10.1007/s10103-024-04068-1
- Swearingen A, Medrano K, Ferzli G, et al. Randomized, Double-Blind, Placebo-Controlled Study of Poly-L-Lactic acid for Treatment of Cellulite in the Lower Extremities. J Drugs Dermatol. 2021;20(5):529-533. doi:10.36849/JDD.5380
- Bass LS, Kaminer MS. Insights Into the Pathophysiology of Cellulite: A Review. Dermatol Surg. 2020;46 Suppl 1(1):S77-S85. doi:10.1097/DSS.0000000000002388
- Menon A, Shauly O, Marxen T, et al. A Clinical Guide to the Treatment of Cellulite and Comprehensive Review of the Etiology, Pathophysiology, and Utility of Intervention. Aesthetic Plast Surg. 2024;48(10):1985-1992. doi:10.1007/s00266-023-03762-9
- Tokarska K, Tokarski S, Woźniacka A, et al. Cellulite: a cosmetic or systemic issue? Contemporary views on the etiopathogenesis of cellulite. Postepy Dermatol Alergol. 2018;35(5):442-446. doi:10.5114/ada.2018.77235
Conteúdo informativo, que não substitui a avaliação individual. Revisão médica: Dr. Alexandre Lima, CRM-MG 38.981.
