Por Dr. Alexandre Lima, médico com Especialização em Dermatologia (CRM-MG 38.981) · Publicado em 22/10/2026
Resposta rápida: Os tipos mais comuns de cicatriz de acne são ice pick, boxcar e rolling, e cada um responde a técnicas diferentes: laser fracionado, subcisão e microagulhamento, em geral combinados. A cicatriz não some por completo. O objetivo realista é uma melhora visível do relevo e da textura, que costuma exigir mais de uma técnica e mais de uma sessão. A avaliação médica define o tipo e o plano.
Por que a cicatriz de acne não some por completo?
Cicatriz de acne é uma marca permanente que a acne deixa na pele, e por isso nenhum tratamento a apaga por completo. O objetivo realista é a melhora: relevo mais regular, textura mais uniforme e marca menos evidente à luz lateral.
O grau de melhora varia conforme o tipo e a profundidade da cicatriz e costuma exigir mais de uma técnica e mais de uma sessão.
O laser fracionado e as técnicas de agulhamento podem melhorar cicatrizes, e a escolha deve ser individual: depende do tipo de cicatriz, das prioridades de cada pessoa e do tempo de recuperação que ela aceita.
Eu costumo dizer que não existe um tratamento capaz de tratar todos os tipos de cicatriz. E o tratamento mais importante é a prevenção: tratar as espinhas o quanto antes, como explico no post sobre acne adulta. Novos surtos de acne podem formar cicatrizes novas, por isso controlar a acne faz parte do plano.
Quais são os tipos de cicatriz de acne?
As cicatrizes mais comuns são ice pick, boxcar e rolling, que formam depressões na pele, além das manchas pós-acne, que não têm depressão. A classificação é feita na avaliação presencial, e não por conversa.
| Tipo | Como é | O que a avaliação costuma considerar |
|---|---|---|
| Ice pick | Furinhos estreitos e profundos, os mais difíceis de tratar | Subcisão, microenxerto (a cicatriz é trocada por um fragmento de pele de outra região) e laser fracionado |
| Boxcar | Depressões rasas ou médias, com bordas mais definidas | Microagulhamento, laser fracionado e subcisão |
| Rolling | Depressões onduladas | Microagulhamento, laser fracionado e subcisão |
| Mancha pós-acne | Marca escura ou avermelhada, sem depressão | Clareadores, laser e peelings suaves, tratados à parte |
Existem ainda cicatrizes elevadas, que pedem avaliação própria, e quem tem tendência a queloide ou a cicatriz hipertrófica (duas formas de cicatriz que crescem em excesso) precisa de atenção redobrada antes de qualquer procedimento.
As manchas pós-acne têm tratamento diferente, tema do post sobre manchas de acne. Já para poros, oleosidade e textura superficial, o post sobre black peel explica outro procedimento a laser.
Laser fracionado: o que faz nas cicatrizes de acne?
O laser fracionado trata a pele em microcolunas de calor, deixando ilhotas de pele intacta entre elas, e estimula a formação de colágeno novo, o que pode melhorar cicatrizes com depressão, rugas e textura. Costumo comparar o laser fracionado a um chuveiro de alta potência: ele atinge a pele em profundidade, mas deixa áreas íntegras ao redor, e isso torna a recuperação mais previsível.
O laser de CO2 fracionado e as técnicas de agulhamento estão entre os recursos mais importantes no tratamento das cicatrizes de acne com depressão. Entre os dois, os resultados nas cicatrizes de acne costumam ser parecidos, e ainda não há prova clara de que um seja melhor que o outro.
A clínica trabalha com laser fracionado de CO2 e de érbio. Os dois têm efeito equivalente a longo prazo, e o que define o resultado é a técnica e a regulagem do aparelho.
O CO2 atinge camadas um pouco mais profundas, e o érbio costuma ter recuperação mais curta e menor risco de mancha. A escolha e a intensidade são individuais. Conheça as páginas sobre o laser de CO2 fracionado e o laser de érbio fracionado (Er:YAG).
Na sessão, usa-se anestésico tópico, aplicado na pele. Nos primeiros dias, a pele fica mais sensível e descama. Costuma haver mais de uma sessão, espaçadas por algumas semanas, e a melhora evolui com a formação de colágeno, com pico por volta de 6 meses.
Entre os cuidados estão proteção solar rigorosa, limpeza suave e não remover as crostas. O risco de mancha existe, principalmente em pele bronzeada ou mais morena, por isso o tipo de pele é avaliado antes.
Gestação, infecção ativa, herpes sem tratamento preventivo e tendência a queloide também entram na avaliação, assim como o uso recente de isotretinoína, medicamento oral de prescrição que é contraindicado na gestação. O laser não resolve excesso de pele, flacidez com indicação cirúrgica nem perda de volume facial.
Subcisão: como libera as cicatrizes que afundam a pele?
A subcisão solta, por baixo da pele, as bandas de tecido fibroso que puxam a cicatriz para baixo e estimula colágeno novo no local. É um procedimento ambulatorial, ou seja, feito sem internação, realizado por médico, com anestesia local. Uma agulha ou cânula entra logo abaixo da cicatriz e rompe essas bandas fibrosas, e a pele se eleva ao perder a tração.
Eu explico que a agulha promove o descolamento das cicatrizes mais retráteis, o que permite que a pele se eleve e melhore de aspecto e de textura. Em alguns casos, a subcisão é necessária para que os outros tratamentos tenham resultado.
Ela é indicada principalmente para cicatrizes com depressão dos tipos rolling e boxcar, em especial as depressões com ancoragem fibrosa, ou seja, marcas que melhoram quando a pele é esticada na avaliação. É uma técnica pouco invasiva, indicada com frequência para as cicatrizes de acne com depressão e que pode ser combinada com outros tratamentos.
O efeito é progressivo: começa nas primeiras semanas e se consolida em alguns meses. Em geral são poucas sessões, com intervalo de algumas semanas, e cicatrizes mais profundas podem pedir mais sessões ou outras técnicas. A melhora obtida tende a se manter, mas novos surtos de acne podem formar cicatrizes novas.
Hematoma (mancha roxa), inchaço e dor passageiros são esperados, e raramente podem surgir nódulos endurecidos ou alteração de pigmento. Nas primeiras 24 horas, usa-se compressa fria, e por alguns dias evitam-se exercício vigoroso, sauna e sol direto, com protetor solar diário.
A subcisão não resolve estrias, cicatrizes superficiais que não estão presas por bandas fibrosas (caminho do laser ou do peeling) nem manchas pós-acne. Na avaliação, entram infecção ou inflamação ativa, problemas de coagulação ou uso de anticoagulantes, uso recente de isotretinoína oral (o prazo de espera é definido pelo médico), tendência a queloide e acne ativa, que deve ser tratada antes.
Microagulhamento: em que ajuda e quais são os limites?
O microagulhamento faz microperfurações controladas na pele para ativar a reparação e estimular colágeno novo, e ajuda nas cicatrizes de acne, em geral como parte de um plano combinado. A melhora é gradual, e o número de sessões varia conforme a queixa e a resposta da pele: cicatrizes costumam exigir mais sessões e a associação de métodos.
A sessão leva de 30 a 45 minutos, com anestesia tópica. Nos primeiros dias, é normal haver vermelhidão e descamação leve.
Em comparação com o laser que remove camadas da pele (laser ablativo), o agulhamento pode ser mais bem tolerado e ter menor risco de alterar a cor da pele. Os limites: ele não resolve sozinho cicatrizes profundas em todos os casos, nem acne ativa sem tratamento, e há risco de mancha (hiperpigmentação) quando faltam preparo e proteção solar adequados.
Infecção ativa, acne inflamatória intensa no local, feridas, pele bronzeada ou irritada e tendência importante a queloide são contraindicações avaliadas. Depois da sessão, não use ácidos sem liberação da clínica.
Preenchimento e combinações: como o plano é montado?
O preenchimento não é a primeira escolha para cicatrizes de acne: ele entra no fim do plano, como complemento. Prefiro levar a pele ao ponto mais favorável possível com os outros métodos e deixar o preenchimento para o final, porque o resultado dele não é permanente. Como qualquer procedimento, ele tem indicações e riscos próprios, avaliados na consulta.
A clínica não trabalha com material permanente (PMMA) e prefere abordagens que estimulam o próprio colágeno. Para entender a duração, veja quanto tempo dura o preenchimento com ácido hialurônico.
Associar um preenchedor, a hidroxiapatita de cálcio, ao laser de CO2 fracionado pode melhorar mais as cicatrizes com depressão do que o laser sozinho, principalmente as dos tipos boxcar e rolling. Mas ainda é cedo para tratar isso como regra.
As combinações possíveis incluem laser fracionado com subcisão, laser com microagulhamento e, quando indicado, preenchimento em momento separado. Na clínica, o protocolo AL DermaGlow Repair reúne microagulhamento, laser e peelings, integrados conforme o seu tipo de cicatriz. Quem define a combinação é o médico, na avaliação. Conheça a página sobre tratamento para cicatrizes de acne em BH.
Assista ao vídeo do Dr. Alexandre sobre o tema:
Perguntas frequentes
Cicatriz de acne some por completo?
Não. A cicatriz é uma marca permanente, e o objetivo é uma melhora visível do relevo e da textura. O grau depende do tipo e da profundidade, e costuma exigir mais de uma técnica e mais de uma sessão.
Quantas sessões são necessárias?
A clínica não trabalha com número fixo de sessões. O número depende do tipo e da profundidade da cicatriz e é definido na avaliação, em geral com mais de uma sessão e intervalo de algumas semanas entre elas.
Posso tratar a cicatriz com acne ainda ativa?
Em geral, a acne ativa é tratada primeiro, porque novos surtos podem formar cicatrizes novas. O post sobre acne adulta explica as opções de tratamento.
Quem usou isotretinoína pode fazer laser ou subcisão?
Depende do intervalo desde o fim do uso. A isotretinoína é um medicamento oral de prescrição, que exige acompanhamento médico e é contraindicado na gestação. Antes de laser ou subcisão, a clínica avalia o intervalo seguro, e o prazo de espera é definido pelo médico. Por isso, informe o uso na consulta.
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Sobre o autor
Dr. Alexandre Lima é médico (CRM-MG 38.981) com Especialização em Dermatologia, formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2003, com mais de 20 anos de atuação em estética facial e corporal. Dirige a Clínica Alexandre Lima, em Belo Horizonte, e mantém no YouTube um canal sobre cuidados com a pele com mais de 860 mil inscritos.
Referências
- Almahzoum K, Alfailakawi W, Alharran AM, et al. Comparative Efficacy and Safety of Needling-Based Therapies Versus Ablative Fractional Lasers for Scar Management: A Systematic Review and an Exploratory Meta-Analysis. Photodermatol Photoimmunol Photomed. 2026;42(5):e70121. doi:10.1111/phpp.70121
- Batool A, Abbas MS, Mahin FE, et al. Comparing fractional CO₂ laser and needling-based modalities in facial acne scar treatment: a comprehensive systematic review and meta-analysis. Lasers Med Sci. 2026;41(1). doi:10.1007/s10103-026-04905-5
- Vempati A, Zhou C, Tam C, et al. Subcision for Atrophic Acne Scarring: A Comprehensive Review of Surgical Instruments and Combinatorial Treatments. Clin Cosmet Investig Dermatol. 2023;16:125-134. doi:10.2147/CCID.S397888
- Chen W, Zhang L, Luo X, et al. Calcium Hydroxylapatite Combined with CO(2) Ablative Fractional Laser for Atrophic Acne Scars: A Randomized Controlled Study. Aesthetic Plast Surg. 2026;50(15):6345-6353. doi:10.1007/s00266-026-06142-1
Conteúdo informativo, que não substitui a avaliação individual. Revisão médica: Dr. Alexandre Lima, CRM-MG 38.981.
