Por Dr. Alexandre Lima, médico com Especialização em Dermatologia (CRM-MG 38.981) · Publicado em 26/10/2026

Resposta rápida: Retinol e ácido retinoico (tretinoína) são derivados da vitamina A, mas não são equivalentes. O ácido retinoico é a forma que age na pele, é considerado mais potente, irrita mais e exige receita. O retinol chega a ele em menor quantidade, é vendido sem receita e costuma ser mais bem tolerado. A escolha depende da pele, do objetivo e da orientação médica.

O que retinol e ácido retinoico têm em comum?

Os dois são retinoides, ou seja, derivados da vitamina A, e fazem parte do grupo dos retinoides de primeira geração usados contra o envelhecimento causado pelo sol: ácido retinoico, retinol, retinaldeído e ésteres de retinila (outras formas da vitamina A). A eficácia, a tolerância e a estabilidade (quanto o produto se conserva) variam entre eles.

Costumo explicar que a vitamina A tem vários derivados, usados em cremes e produtos antissinais: palmitato de retinol, retinaldeído, retinol e o ácido retinoico, que é igual à tretinoína. O ácido retinoico é o que de fato age. Os demais são convertidos nele pelo organismo, e o retinol chega lá em menor concentração, o que o torna mais leve.

Na pele, essa conversão acontece nas células da camada superficial (os queratinócitos), que transformam o retinol em ácido retinoico.

A diferença prática está na classificação. A tretinoína aparece em formulações aprovadas como medicamento para acne, rugas no rosto e manchas. Já o retinol, o retinaldeído e o palmitato de retinol estão em cosmecêuticos, produtos com ativos que agem sobre a pele, mas são regulados como cosméticos. O retinol e seus ésteres são facilmente encontrados sem receita.

Qual é mais forte, o retinol ou o ácido retinoico?

O ácido retinoico é considerado mais potente que o retinol. A regra prática é que o retinol seria cerca de dez vezes mais fraco. O ácido retinoico é tratado como o padrão-ouro para o rejuvenescimento da pele.

Eu gosto de resumir numa escala: quanto maior a eficácia, maior a tendência a efeitos colaterais, e quanto maior a tolerabilidade, menor a eficácia. No topo está o ácido retinoico, que promove a maior renovação celular e também traz mais irritação e ressecamento. Por isso exige prescrição e acompanhamento médico.

Do outro lado da escala, o retinol é mais bem tolerado, mas tem menos ação sobre a pele, e por isso é usado apenas em cosmecêuticos.

O quadro abaixo resume a comparação:

RetinolÁcido retinoico (tretinoína)
ClassificaçãoCosmecêutico, regulado como cosméticoMedicamento
ReceitaNão exigeExige receita e acompanhamento médico
PotênciaPela regra prática, cerca de dez vezes menorMaior
TolerânciaMelhor toleradoMais irritação e ressecamento
Ação na peleConvertido em ácido retinoicoÉ a própria forma ativa

Na prática, a conta é menos simples do que a regra dos dez. Uma fórmula específica de retinol e de seus derivados pode chegar perto do resultado da tretinoína, e um hidratante com retinol bem formulado pode melhorar a aparência da pele marcada pelo sol. Mesmo assim, isso não vale para qualquer produto que tenha retinol no rótulo.

O que não dá para afirmar sobre o retinol?

Não dá para dizer que qualquer produto com retinol equivale à tretinoína, nem que o retinol seja inútil.

  • Nem todos os produtos com retinol têm a mesma força: a palavra "retinol" na embalagem, sozinha, não diz quanto o produto entrega.
  • O retinol pode ajudar, mas costuma agir de forma mais suave que a tretinoína, e o resultado depende da fórmula do produto.
  • O retinol também pode irritar, mesmo sendo vendido sem receita.

Também não dá para dizer que a tretinoína é sempre a escolha certa: mais potência traz mais irritação, e a pele precisa tolerar.

Qual escolher: retinol ou ácido retinoico?

A escolha depende da sensibilidade da pele, do objetivo do tratamento e da experiência prévia com retinoides, e quem a define é a avaliação médica.

Em pele sensível ou no primeiro contato com retinoides, o retinol, de melhor tolerabilidade, pode ser o ponto de partida. Aviso também que o retinol não é indicado para quem tem pele muito sensível, com irritação constante, como na rosácea. Se for o caso, ele pode ser associado a produtos calmantes, sob avaliação médica.

Quando o objetivo pede um efeito maior, como no tratamento de acne, de manchas ou de rugas e linhas de expressão, a tretinoína entra na conversa, já que existem formulações aprovadas como medicamento para essas queixas.

Eu gosto do tratamento escalonado: começar com um retinol cosmético de boa qualidade e, se a pele tolerar e o objetivo pedir, migrar para a tretinoína, medicamento de receita que é mais forte e irrita mais. Por ser gradual, esse caminho também exige acompanhamento médico. Muitas vezes é preciso associar produtos e medicamentos, e é isso que a avaliação define. Faço questão de alertar: retinol não é motivo para sair comprando sem critério, porque em algumas pessoas ele também causa irritação.

Na gestação e para quem está tentando engravidar, a minha orientação é não usar o retinol. Quem amamenta deve falar com o médico antes de usar qualquer retinoide, inclusive o retinol.

O uso da tretinoína, com os cuidados para irritar menos, está em Ácido retinoico (tretinoína): como usar sem irritar a pele.

Como usar o retinol sem irritar a pele?

Para irritar menos, o retinol vai de preferência à noite, com protetor solar todos os dias e a pele observada ao longo do uso.

Costumo orientar assim. Com os devidos cuidados, o retinol pode ser usado também de manhã, e o horário varia conforme a reação da pele. O protetor solar é indispensável, principalmente nas peles mais sensíveis ou no início do tratamento, quando há tendência à descamação. E aviso que os benefícios vêm a médio e longo prazo, e não de uma noite para outra.

Com um hidratante com retinol bem formulado, a melhora na aparência da pele pode aparecer depois de cerca de oito semanas de uso regular. Cada pele tem o seu ritmo.

Se a pele repuxar ou coçar durante o uso, veja Pele seca e coceira: por que acontece e como cuidar. Se a ideia é somar outro ativo, a vitamina C no rosto tem post próprio, e a ordem de uso deve ser combinada com o médico.

Assista ao vídeo do Dr. Alexandre sobre o tema:

Perguntas frequentes

Retinol precisa de receita?

Não. O retinol e seus ésteres são vendidos sem receita, mas isso não dispensa orientação, porque ele também pode irritar. A tretinoína, ao contrário, é medicamento e exige receita e acompanhamento médico.

O retinol funciona mesmo?

Pode ajudar. Um hidratante com retinol bem formulado pode melhorar a aparência da pele marcada pelo sol, mas o efeito costuma ser mais suave que o da tretinoína e depende da fórmula do produto. Quando ajuda, os resultados vêm com o uso regular, a médio e longo prazo.

Posso usar retinol de dia?

Costumo orientar o uso de preferência à noite, mas, com os devidos cuidados, pode ser usado de dia, sempre com protetor solar diário. O horário e a frequência dependem da reação da pele e devem ser combinados na avaliação médica.

Em quanto tempo o retinol faz efeito?

Aviso que o efeito vem a médio e longo prazo, e não de uma noite para outra. Com um hidratante com retinol bem formulado, a melhora na aparência da pele pode aparecer depois de cerca de oito semanas de uso regular, e o ritmo varia de pessoa para pessoa.

Gestante pode usar retinol?

Na gestação e para quem está tentando engravidar, a minha orientação é não usar o retinol. Quem amamenta deve falar com o médico antes de usar qualquer retinoide, inclusive o retinol.


Quer avaliar o seu caso?

Cada pele e cada rosto pedem um plano próprio. Na Clínica Alexandre Lima, em Funcionários, Belo Horizonte, a avaliação define o que faz sentido para você, com planejamento médico e acompanhamento da equipe.

Prefere ligar? (31) 3222-2245. Veja como chegar.


Sobre o autor

Dr. Alexandre Lima é médico (CRM-MG 38.981) com Especialização em Dermatologia, formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2003, com mais de 20 anos de atuação em estética facial e corporal. Dirige a Clínica Alexandre Lima, em Belo Horizonte, e mantém no YouTube um canal sobre cuidados com a pele com mais de 860 mil inscritos.

Referências

  1. Mambwe B, Mellody KT, Kiss O, et al. Cosmetic retinoid use in photoaged skin: A review of the compounds, their use and mechanisms of action. Int J Cosmet Sci. 2025;47(1):45-57. doi:10.1111/ics.13013
  2. Tucker-Samaras S, Zedayko T, Cole C, et al. A stabilized 0.1% retinol facial moisturizer improves the appearance of photodamaged skin in an eight-week, double-blind, vehicle-controlled study. J Drugs Dermatol. 2009;8(10):932-6. PubMed
  3. Milosheska D, Roškar R. Use of Retinoids in Topical Antiaging Treatments: A Focused Review of Clinical Evidence for Conventional and Nanoformulations. Adv Ther. 2022;39(12):5351-5375. doi:10.1007/s12325-022-02319-7
  4. Chien AL, Kim DJ, Cheng N, et al. Biomarkers of Tretinoin Precursors and Tretinoin Efficacy in Patients With Moderate to Severe Facial Photodamage: A Randomized Clinical Trial. JAMA Dermatol. 2022;158(8):879-886. doi:10.1001/jamadermatol.2022.1891
  5. Babcock M, Mehta RC, Makino ET. A Randomized, Double-blind, Split-face Study Comparing the Efficacy and Tolerability of Three Retinol-based Products vs. Three Tretinoin-based Products in Subjects With Moderate to Severe Facial Photodamage. J Drugs Dermatol. 2015;14(1):24-30. PubMed
  6. Lee HE, Ko JY, Kim YH, et al. A double-blind randomized controlled comparison of APDDR-0901, a novel cosmeceutical formulation, and 0.1% adapalene gel in the treatment of mild-to-moderate acne vulgaris. Eur J Dermatol. 2011;21(6):959-65. doi:10.1684/ejd.2011.1546

Conteúdo informativo, que não substitui a avaliação individual. Revisão médica: Dr. Alexandre Lima, CRM-MG 38.981.