Por Dr. Alexandre Lima, médico com Especialização em Dermatologia (CRM-MG 38.981) · Publicado em 08/10/2026
Resposta rápida: O preenchimento de olheiras com ácido hialurônico é indicado para a olheira estrutural, aquela funda, em forma de sulco, que forma sombra e passa aspecto de cansaço. Olheira escura (pigmentar) e arroxeada (vascular) não respondem a preenchimento e costumam pedir laser ou luz pulsada. Os riscos mais comuns são inchaço, hematoma e coloração azulada. O tipo da olheira é definido na avaliação.
Quem pode fazer preenchimento de olheiras?
Pode fazer quem tem olheira estrutural: aquela funda, em forma de sulco ou vale, que cria sombra e dá aspecto de cansaço, depois de avaliação.
Esse afundamento pode ser herança anatômica ou efeito do envelhecimento: com o tempo, as gorduras profundas da região e da bochecha perdem volume, e a pele afina e perde elasticidade. Para repor esse volume e suavizar a região, o ácido hialurônico costuma ser o tratamento injetável preferido.
Para a olheira profunda, a solução mais comum é o preenchimento. Com o ácido hialurônico, aumentamos o volume da região para compensar o afundamento e nivelar com as demais áreas do rosto. Sem a cavidade, a sombra que forma a olheira diminui.
A olheira costuma ser tratada dentro de um plano maior. Veja o panorama no post sobre harmonização facial.
Como saber se a minha olheira é de volume, pigmento ou bolsa?
Olheira tem causas diferentes, e só a avaliação define o tipo. Ainda assim, a cor e o formato dão uma primeira pista: a olheira funda lembra um sulco, a pigmentar é escura e amarronzada, e a vascular é arroxeada.
Olheira não é tão simples quanto parece e nem sempre é fácil de tratar. Por isso, para mim, o primeiro passo é distinguir o tipo antes de escolher o tratamento.
As olheiras se dividem por causa: sombra (a olheira funda), vasos sanguíneos aparentes, excesso de pigmento (que pode surgir sem causa definida ou depois de uma inflamação) e herança familiar. Como cada tipo pede um tratamento diferente, o diagnóstico individual importa tanto.
| Tipo | Como costuma ser | Caminho em geral |
|---|---|---|
| Estrutural (volume) | Funda, em sulco, com sombra | Preenchimento com ácido hialurônico |
| Pigmentar | Escura e amarronzada, por excesso de melanina | Laser e luz pulsada |
| Vascular | Arroxeada ou avermelhada, com a pele fina deixando os vasos visíveis | Luz pulsada |
| Excesso de pele ou bolsa | Pele sobrando na pálpebra, que pode escurecer a região | Métodos específicos, como laser fracionado ou cirurgia |
| Mista | Mistura de causas | Técnicas associadas, definidas na avaliação |
Antes de qualquer procedimento, eu começo pelo básico para evitar as olheiras: dormir bem, manter uma boa alimentação, não fumar, evitar sol em excesso e usar o protetor solar corretamente.
O que fazer quando a olheira não é funda?
Quando a olheira é escura ou arroxeada, o caminho costuma ser laser e luz pulsada, e não o preenchimento. Preencher uma olheira que não é funda pode não resolver ou até piorar a aparência.
Nas olheiras pigmentares, eu gosto de combinar o laser de Nd:YAG com a luz intensa pulsada. O laser quebra os pigmentos com pulsos de energia extremamente rápidos, e a luz pulsada produz calor que atinge a melanina (o pigmento da pele) e os vasos sanguíneos. Na minha experiência, os resultados costumam ser interessantes, embora nem sempre completos. O plano segue sempre a avaliação individual.
Nas olheiras vasculares, também recomendo a luz pulsada, que age na camada dos vasos e melhora a congestão e o fluxo local.
Quando a olheira está ligada à flacidez, recomendo um laser fracionado. Se há excesso de pele e bolsa, a cirurgia, chamada blefaroplastia, pode ser o tratamento indicado.
Existe ainda a alternativa cirúrgica para a olheira funda: o reposicionamento da gordura, que costuma durar mais do que o preenchimento com ácido hialurônico, mas com risco maior, por ser uma cirurgia. A escolha depende do tipo de olheira, do excesso de pele e da preferência de cada paciente.
Como é o preenchimento de olheira e o que esperar?
O preenchimento de olheira usa um gel de ácido hialurônico mais leve, de baixa hidrofilia (que retém pouca água), em pequena quantidade para não inchar, aplicado no consultório com anestesia local. Na clínica, o procedimento é feito pela equipe, com planejamento médico.
Gosto de fazer o preenchimento bem comedido e gradual. Não gostamos de nada exagerado, e por isso prefiro dividir em mais sessões quando há necessidade. O princípio de usar pouco produto e avançar em etapas está no post sobre harmonização sem exagero.
O efeito é imediato, mas já com algum inchaço. O resultado final aparece depois que o inchaço resolve, o que na olheira pode levar de 15 a 30 dias. Você volta às atividades no mesmo dia, com os cuidados orientados pela equipe: evitar pressão e massagem na região, atividade física intensa e calor excessivo no primeiro dia, e usar protetor solar.
Em geral, o ácido hialurônico dura de 9 a 12 meses na maioria das regiões do rosto, e a renovação é definida na avaliação. Os detalhes estão no post sobre duração e reversão do preenchimento.
Sou sincero com os pacientes: nas olheiras profundas, na maior parte dos casos, não se chega a uma melhora total, e alguns casos são mais desafiadores, sobretudo quando há bolsas ou mais de uma causa. Isso não é motivo para desistir: as melhoras possíveis costumam ser relevantes.
Quais são os riscos e as contraindicações do preenchimento de olheiras?
Os efeitos mais comuns são hematoma, inchaço na região da bochecha, coloração azul-acinzentada e irregularidades de contorno. A grande maioria dos efeitos indesejados é leve e passa sozinha.
A coloração azulada tem nome: efeito Tyndall. Ela é uma das situações em que se pode indicar a hialuronidase, a enzima que dissolve o gel, porque o ácido hialurônico é reversível.
Complicações incomuns incluem infecção, formação de biofilme (bactérias aderidas ao gel), necrose da pele (morte do tecido) e perda de visão. Por isso a região exige conhecimento da anatomia e técnica precisa, e qualquer sintoma fora do esperado deve ser comunicado logo à equipe. Dor intensa, palidez, mancha arroxeada ou alteração da visão logo após a aplicação pedem contato imediato com a equipe ou atendimento de emergência. O post sobre duração e reversão do preenchimento explica o que fazer nesses casos.
Em geral, o procedimento é adiado ou não indicado em caso de infecção ou inflamação no local, feridas na região, herpes ativa e gestação. Quem tem material permanente na área deve informar a equipe, e cada caso é avaliado na consulta. A clínica não trabalha com material permanente (PMMA).
Para outras regiões do rosto, o raciocínio é parecido. Veja, por exemplo, o post sobre contorno de mandíbula e queixo e a página de preenchimento facial.
Assista ao vídeo do Dr. Alexandre sobre o tema:
Perguntas frequentes
Quem não deve fazer preenchimento de olheira?
Em geral, o procedimento é adiado ou não indicado em caso de infecção ou inflamação no local, feridas na região, herpes ativa e gestação. Quem tem material permanente na área deve informar a equipe, e cada caso é avaliado na consulta. Além disso, o preenchimento só faz sentido quando a olheira é do tipo estrutural.
O preenchimento funciona para olheira escura ou arroxeada?
Não. As olheiras pigmentar (escura) e vascular (arroxeada) não respondem ao preenchimento e costumam pedir laser ou luz pulsada. A olheira mista pode associar técnicas, e bolsas e flacidez da pálpebra pedem outros métodos.
Quanto tempo dura o preenchimento de olheira?
Em geral, o ácido hialurônico dura de 9 a 12 meses na maioria das regiões do rosto, e vai sendo reabsorvido aos poucos. A renovação é definida na avaliação, sem prazo rígido.
O preenchimento de olheira dói?
O preenchimento é feito no consultório, com anestesia local e sem cortes, e você volta às atividades no mesmo dia. Pode haver sensibilidade e pequenos hematomas, em geral leves e passageiros.
Dá para desfazer o preenchimento de olheira?
Dá. O ácido hialurônico pode ser desfeito se houver insatisfação, porque é absorvível e reversível. O processo está explicado no post sobre como o preenchimento é revertido.
Quer avaliar o seu caso?
Cada pele e cada rosto pedem um plano próprio. Na Clínica Alexandre Lima, em Funcionários, Belo Horizonte, a avaliação define o que faz sentido para você, com planejamento médico e acompanhamento da equipe.
Prefere ligar? (31) 3222-2245. Veja como chegar.
Sobre o autor
Dr. Alexandre Lima é médico (CRM-MG 38.981) com Especialização em Dermatologia, formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2003, com mais de 20 anos de atuação em estética facial e corporal. Dirige a Clínica Alexandre Lima, em Belo Horizonte, e mantém no YouTube um canal sobre cuidados com a pele com mais de 860 mil inscritos.
Referências
- Hong GW, Choi W, Yoon SE, et al. Anatomical-Based Filler Injection Diagnosis to Treatment Techniques: Infraorbital Groove and Hollowness. Life (Basel). 2025;15(2). doi:10.3390/life15020237
- Pissaridou MK, Ghanem A, Lowe N. Periorbital Discolouration Diagnosis and Treatment: Evidence-Based Review. J Cosmet Laser Ther. 2020;22(6-8):217-225. doi:10.1080/14764172.2021.1899238
- Christodoulou S, Tzamalis A, Tsinopoulos I, et al. Surgical and Non-Surgical Approach for Tear Trough Correction: Fat Repositioning Versus Hyaluronic Acid Fillers. J Pers Med. 2024;14(11). doi:10.3390/jpm14111096
- Reddy S, Nguyen TA, Gharavi N. Complications associated with infraorbital filler injection. J Cosmet Laser Ther. 2020;22(6-8):226-229. doi:10.1080/14764172.2021.1909067
- Mandal P, Gama F. The use of periocular fillers in aesthetic medicine. J Plast Reconstr Aesthet Surg. 2021;74(7):1602-1609. doi:10.1016/j.bjps.2020.12.079
Conteúdo informativo, que não substitui a avaliação individual. Revisão médica: Dr. Alexandre Lima, CRM-MG 38.981.
